A Verdadeira Propaganda
Bezerra de Meneses
Pensem como quiserem os que entendem dever fazer a propaganda espírita por todos os modos, mesmo nas praças, sujeitando a divina Doutrina à galhofa do público, mesmo nos teatros, em meio do ridículo dos espectadores, e até nos alcouces, por entre os esgares desprezíveis de seres infelizes, seus freqüentadores.
Nem Jesus, o santíssimo modelo, nem os apóstolos, seus autorizados imitadores expuseram jamais à galhofa, ao ridículo e aos esgares da corrupção os ensaios de salvação.
Quer um, quer outros levaram a palavra da Verdade a todos os meios, é certo, porque o doente é que precisa do médico; porém, fizeram-no sempre guardando a compostura, severamente moralizadora, de ministros da mais pura, santa e veneranda Doutrina: ergueram a luz à altura de ser vista por toda a Humanidade, mas não a levaram aos antros.
Do que serve pregar o Espiritismo que é o Evangelho segundo o espírito e a verdade, dando àqueles que o pregam o exemplo do seu desrespeito pelo, modo irreverente de pregá-lo?
Sancta sancte tractanda sunt: as coisas sagradas devem ser com todo o respeito tratadas.
Por este modo, um que seja, que se colha para redil bendito, vem convencido da santidade da Doutrina, pelo acatamento com que a vê exposta, e será um convencido digno e dignificador da Santa Lei.
Pelo contrario, os que são trazidos como em folia, por milhares que sejam, virão crentes, pelo modo por que viram obrar os propagandistas, de que o Espiritismo é meio de distração, senão de brincadeira, e esses milhares nem aproveitara para si, nem concorrem de leve para o triunfo da boa Lei.
Propagar o Espiritismo por toda a parte, sim; mas propagá-lo com o respeito e o acatamento que requer o ensino da Divina Revelação.
(Esta página foi escrita em 1896, quando Bezerra ainda estava encarnado e, publicada na revista “Reformador”) CENTRO ESPÍRITA
Na visão de Bezerra de Menezes
O conhecimento espírita liberta o homem de superstições e preconceitos, pois é eminentemente racional, e deixa-o livre para pensar e agir.
Entretanto, essa liberdade pode ser utilizada plenamente dependendo da hora e lugar.
No Centro Espírita, por exemplo, alguns detalhes devem ser levados em consideração. Segundo aprendemos com os sábios mentores espirituais, para o Centro Espírita se deslocam espíritos com acentuado desequilíbrio e outros com o propósito de aprender. Outros, são levados pelos protetores desencarnados para serem doutrinados e aí permanecem para prosseguirem no tratamento de reequilíbrio espiritual ou no aprendizado.
Detendo-se aí, observam-nos o procedimento, a conservação, os pensamentos... Dessa forma, o Centro Espírita deve se transformar num verdadeiro santuário, de respeito e oração.
Não se pode, pois permitir em seu seio, festas, músicas de fundo não edificante, peças teatrais, aplausos, conversação tumultuada e não construtiva, discussões violentas, homenagens humanas, “comes e bebes”, reuniões sem disciplina, rifas, leilões, comércio, brincadeiras, competições, ataques a outras religiões, enfim, tudo aquilo que não se concebe num hospital, junto a um leito de dor ou num santuário de oração.
É necessário o mais digno procedimento no Centro Espírito, a fim de que Jesus não tenha que voltar para expulsar-nos dele, como procedimento no Centro Espírita, a fim de que Jesus não tenha que voltar para expulsar-nos dele, como procedeu com os mercadores do templo.
(Texto extraído do Jornal “Correio do Quilo” - Julho/2000 - n.º 110)
Transcrição feita por: Carmen Lucia
HORA GRAVE
Bezerra
Vivemos uma hora grave na economia moral e social do planeta terrestre. A hora da grande luta soa na ampulheta dos tempos. A separação das ovelhas dá-se espontaneamente através da lei das afinidades. Honrados com o conhecimento libertador da Doutrina Espírita, descobrimos que este é o nosso momento de auto-iluminação.
É a hora do despertamento para as nossas atividades libertadoras. Chega o instante da grande decisão: luz ou trevas; ação no bem ou acumpliciamento com o erro.
Não há outra alternativa.
No passado, embora conhecendo Jesus através da estreiteza dogmática e da intolerância teológica, optamos por transformar a Sua mensagem em um partido de dominação político-religiosa que vem escravizando as consciências longe do amor.
Hoje não.
Banhados pelo sol da razão, descobrimos os deveres que nos compete atender e despertamos para a realidade do ser imortal que somos.
Sigamos a trilha sem olhar para trás. Reflexionemos profundamente nas lições da Doutrina, conforme exaradas na Codificação, e, vivendo a inteireza do postulado do amor, deixemos que a caridade esteja luzindo em nossa vida.
Meus filhos, Jesus quer que apressemos a nossa marcha, e segue à frente hoje, como ontem, conclamando-nos ao ministério da construção do mundo novo. Não nos detenhamos nas discussões infrutíferas. Não relacionemos desafios e dificuldades.
Não coletemos mágoas ou desaires. Estuemos de júbilo pela oportunidade rara de servir e de nos libertarmos do erro que nos vem escravizando há milênios.
O Senhor espera que cada um de nós, Espírito encarnado ou desencarnado que abraça a Doutrina Espírita, cumpra com o seu dever.
E este, mediante a fidelidade aos objetivos desenhados na Doutrina, exaltados no amor, está aguardando por nós e impondo-nos a necessidade de permanecermos até o fim, apesar das vicissitudes e das dificuldades.
A mediunidade é a ponte de luz atirada do abismo terrestre na direção do infinito de amor. Deixai que por ela transitem os seres imortais, trazendo para o mundo a revelação da imortalidade.
Ide em paz, e que o Senhor vos abençoe. São os votos do servidor, humílimo e paternal de sempre,
Bezerra O Brasil e a sua Missão Histórica de
“Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”
Mensagem de Bezerra de Menezes
Meus filhos:
Prossegue o Brasil na sua missão histórica de “Pátria do Evangelho” colocada no “Coração do Mundo”.
Nem a tempestade de pessimismo que avassala, nem a vaga de dúvida que açoita os corações da nacionalidade brasileira impedirão que se consume o vaticínio da Espiritualidade quanto ao seu destino espiritual. Apesar dos graves problemas que nos comprometem em relação ao porvir – não obstante o cepticismo que desgoverna as mentes em relação aos dias do amanhã – o Brasil será pulsante coração espiritual da Humanidade, encravado na palavra libertadora de Jesus, que fulge no Evangelho restaurado pelos Benfeitores da Humanidade.
Não se confunda missão histórica do País com a competição lamentável, em relação às megalópoles do mundo, que triunfam sobre as lágrimas das nações vencidas e escravizadas pela política financeira e econômica internacional.
Não se pretenda colocar o Brasil no comando intelectual do Orbe terrestre, através de celebrações privilegiadas que se encarreguem de deflagrar as guerras de aniquilamento da vida física.
Não se tenham em mente a construção de um povo, que se celebrize pelos triunfos do mundo exterior, caracterizando-se como primeiro no concerto das nações.
Consideremos a advertência de Jesus, quando se reporta que “os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros”.
Sem dúvida, o cinturão da miséria sócio-econômica que envolve as grandes cidades brasileiras alarma a consciência nacional. A disputa pela venda de armas, que vem colocando o País na cabeceira da fila dos exportadores da morte, inquieta-nos. Inegável a nossa preocupação ante a onda crescente de violência e de agressividade urbana...
Sem dúvida, os fatores do desrespeito à consciência nacional e a maneira incorreta com que atuam alguns homens nas posições relevantes e representativas do País fazem que o vejamos, momentaneamente, em uma situação de derrocada irreversível.
Tenha-se, porém, em mente que vivemos uma hora de enfermidades graves em toda a Terra, na qual, o vírus da descrença gera as doenças do sofrimento individual e coletivo, chamando o homem a novas reflexões.
A História se repete!...
As grandes nações do passado, que escravizaram o mundo mediterrâneo, não se eximiram à derrocada das suas edificações, ao fracasso dos seus propósitos e programas; assírios e babilônios ficaram reduzidos a pó; egípcios e persas guardam, nos monumentos açoitados pelos ventos ardentes do deserto, as marcas da falência pomposa, das glórias de um dia; a Hélade, de circunferência em torno das suas ilhas, legou, à posteridade, o momento de ilusório poder, porém, milênios de fracassos bélicos e desgraças políticas.
As maravilhas da Humanidade reduziram-se a escombros: o Colosso de Rodes foi derrubado por um terremoto; o Túmulo de Mausolo arrebentou-se, passados os dias de Artemísia; o Santuário de Zeus, em Olímpia, e a estátua colossal foram reduzidos a poeira; os jardins suspensos de Semíramis arrebentaram-se e ficaram cobertos da sedimentação dos evos e das camadas de areia sucessivas da história. Assim, aconteceu com outros tantos monumentos que assinalaram uma época, porém foram fogos-fátuos de um dia ou névoa que a ardência da sucessão dos séculos se encarregou de demitizar e de transformar. Mas, o Herói Silencioso da Cruz, de braços abertos, transformou o instrumento de flagício em asas para a libertação de todas as criaturas, e a luz fulgurou no topo da cruz converteu-se em perene madrugada para a Humanidade de todos os tempos.
O Brasil recebeu das Suas mãos, através de Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem de carmas coletivos, com pequenas exceções, a cruz da libertação das consciências de onde o amor alçará o vôo para abraçar as nações cansadas de guerras, os povos trucidados pela violência desencadeada contra os seus irmãos, os corações vencidos nas pelejas e lutas da dominação argentaria, as mentes cansadas de perquirir e de negar, apontando o rumo novo do amor para re restaurem no coração a esperança e a coragem para a luta de redenção.
Permaneçam confiantes, os espíritas do Brasil, na missão espiritual da “Pátria do Cruzeiro”, silenciando a vaga do pessimismo que grassa e não colocando o combustível da descrença, nem das informações malsãs, nas labaredas crepitantes deste fim de século prenunciador de uma madrugada de bênçãos que teremos ensejo de perlustrar.
Jesus, meus filhos, confia em nós e espera que cumpramos com o nosso dever de divulgá-lO, custe-nos o contributo do sofrimento silencioso e das noites indormidas em relação à dificuldade para preservar a pureza dos nossos ideais, ante as licenças morais perturbadoras que nos chegam, sutis e agressivas, conspirando contra nossos propósitos superiores.
Divulgá-lO, vivo e atuante, no espírito da Codificação Espírita, é compromisso impostergável, que cada um de nós deve realizar com perfeita consciência de dever, sem nos deixarmos perturbar pelos hábeis sofistas da negação e pelas arengas pseudo-intelectuais dos aranzéis apresentados pela ociosidade dourada e pela inutilidade aplaudida.
Em Jesus temos “o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir-nos de modelo e guia”; o meio para alcançar o Pai, Amorável e Bom; o exemplo de quem, renunciando-se a si mesmo, preferiu o madeiro de humilhação à convivência agradável com a insensatez; de quem, vindo para viver o amor, fê-lo de tal forma que toda a ingratidão de quase vinte séculos não lhe pôde modificar a pulcridade dos sentimentos e a excelsitude da mensagem. Ser espírita é ser cristão, viver religiosamente o Cristo de Deus em toda a intensidade do compromisso, caindo e levantando, desconjuntando os joelhos e retificando os passos, remendando as carnes dilaceradas e prosseguindo fiel em favor de si mesmo e da Era do Espírito Imortal.
Chamados para essa luta que começa no país da consciência e se exterioriza na indimensionalidade geográfica, além das fronteiras do lar, do grupo social, da Pátria, em direção do mundo, lutais para serdes escolhidos. Perseverai para receberdes a eleição de servidores fiéis que perderam tudo, menos a honra de servir; que padeceram, imolados na cruz invisível da renúncia, que vos erguerá aos páramos da plenitude.
Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado pela ingratidão de muitos homens – é livre em nossos corações, caminha pelos nossos pés, afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras gentis e só vê beleza pelos nossos olhos fulgurantes como estrelas luminíferas no silêncio da noite.
Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e Caridade” insculpida em vossos sentimentos e trabalhai pela Era Melhor, que já se avizinha, divulgando o Espiritismo Libertador onde quer que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, mas, sem a covardia conivente, que teme desvelar a verdade para não ficar mal colocada no grupo social da ilusão.
Agora, quando se abrem as portas para apresentar a mensagem do Cristo e de Kardec ao mundo, e logo mais, preparai-vos para que ela seja vista em vossa conduta, para que seja sentida em vossas realizações e para que seja experimentada nas Casas que momentaneamente administrais, mas que são dirigidas pelo Senhor de nossas vidas, através de vós, de todos nós.
O Brasil prossegue, meus filhos, com a sua missão histórica de “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual, o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em gargalhada estrídula e zombeteira tentem diminuir, em nome de ideologias materialistas travestidas de espiritualismo e destrutivas em nome da solidariedade.
Que nos abençoe Jesus, o Amigo de ontem – que já era antes de nós -, o Benfeitor de hoje – que permanece conosco -, e o Guia para amanhã – que nos convida a tomar do Seu fardo e receber o Seu jugo, únicos a nos darem a plenitude e a paz.
Muita paz, meus filhos!
São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,
Bezerra
Revista Reformador - Nº 2053 - Abril de 2000
ONTEM E HOJE
Bezerra de Meneses
Neste momento grave de transformações da sociedade, qual é o nosso contributo?
O Senhor já veio ter conosco! Quando nos resolveremos a ir em definitivo para o encontro com o Senhor? Até hoje sua voz chega-nos em quebrada, conclamando-nos ao encontro com a verdade.
... E, calcetas temos sido. Detemo-nos na retaguarda, apoiados a bengalas desculpistas, procurando as soluções da ilusão e da mentira, tentando evadir-nos da responsabilidade.
Com Allan Kardec, não temos outra alternativa, senão apoiar a razão noa amor e deixar que o raciocínio frio se aqueça com o sentimento de amor profundo, para que a sabedoria se nos instale na existência transitória do corpo ou no Espírito Eterno.
Meus filhos, Jesus conta conosco tanto quanto temos contado com Ele. Ontem, ele nos ofereceu o testemunho de Sua vida e não nos pede agora o holocausto de sangue nas garras das feras, nas estreitas arenas dos circos romanos. Mas, inevitavelmente, aquele que o encontrou terá que enfrentar as feras íntimas, capitaneadas pelo egoísmo, esse terrível adversário da evolução e os seus famanazes descendentes, que são os impedimentos ao processo de integração.
As feras já não estarão fora. Deverão ser domadas no mundo íntimo. É provável que não sejamos compreendidos, nem o propósito é este.
Aqueles que receberam na Terra o prêmio, o troféu, o aplauso, já estão condecorados. Mas aqueles que passaram incompreendidos e foram fiéis até o fim, esses encontrarão a plenitude, a felicidade. Este é o passo avançado para que se dê a unificação dos Espíritas, depois da união dos espíritos. E a divulgação será mais pelos atos do que pelas palavras.
O mundo está cansado de oradores flamívomos e arrebatados, mas carentes de pessoas que vivam a lição que pretendem transmitir. Falamos tanto de amor! Amemos porém aqueles que nos hostilizam; não esperemos que todos estejam de acordo conosco. Compreendamos aqueles que nos não compreendem e nos tornam a marcha mais difícil, todavia mais gloriosa.
Não nos preocupemos, porque o Senhor da Seara está vigilante. Ele cuida do grão que cai sobre a pedra e da ave do céu que vai comer, mas também do grão generoso que o solo ubérrimo recebe e devolve em mil grãos para cada um.
Segui, encorajai-vos, espíritas, amando cada vez mais e alegrando-nos porque ainda estamos nos dias heróicos do testemunho, quando as dificuldades são intestinas, quando as lições mais próximas e dilaceradoras de nossos sentimentos têm o significado mais profundo. Em dias próximos passados, também nós experimentamos acrimônia, acusação, agressão e amor; porque a harmonia do todo é resultado da integração de suas partes.
Conhecemos a difícil estrada da unificação e é por isso que suplicamos ao Senhor, depois de nos haver enviado o vaso escolhido para que pudesse receber as vozes dos céus e legá-las para todas as épocas, nos ensejasse estes dias de heroísmo e abnegação.
Não nos aflijais. Sedes fiéis até o fim. Meio século significa um marco expressivo, mas o Mestre nos espera desde antes que nós fôssemos, e há dois mil anos diretamente vela por nós, mandando-nos Seus embaixadores, para que despertemos para a vida.
Filhos da Alma: amai, servi, passai adiante. O defensor da nossa honra é Jesus. O servo que se justifica e que se defende perante o mundo, certamente não confia no Senhor, que o contratou para a Sua seara. Avançai, semeia luz, ponde estrelas na noite. Enxugai o pranto que verte volumoso dos olhos do mundo, cicatrizai feridas e sede, em todo e qualquer instante, o amigo dos que não têm amigos na Terra e o irmão dos desafortunados de caminho.
Em nome dos Espíritos-espíritas, levemos a nossa mensagem de solidariedade e de amor.
Na condição de servidor humílimo e paternal de sempre.
Bezerra
Mensagem recebida pelo Médium Divaldo Pereira Franco
Extraída de “Reformador” de dezembro de 1999, p. 359
Gotas de Luz - Outubro, Novembro e Dezembro de 2000
PRECE FINAL
Virgem Santíssima, Rainha do Céu, Advogada de nossas súplicas junto ao Divino Mestre e a Deus todos Poderoso, eu Te peço não que deixe de sofrer mas para que meu pobre espírito aproveite bem todo o sofrimento e, por fim, Mãe querida, eu te peço pelos meus Irmãos que ficam, por esses pobres Amigos, doentes do corpo e da alma, que aqui vieram buscar no teu humilde servo uma migalha de conforto e de amor. Assiste-os, por Caridade, dá-lhes, Senhora, a Tua Paz, a Paz do Cordeiro de Deus que tira os pecados do Mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo! Louvado seja Teu Nome! Louvado seja o Nome de Jesus! Louvado seja Deus!
E desencarnou!
Lindos Casos de Bezerra de Menezes - Ramiro Gama
Reflexões com BEZERRA
Aconselha-nos BEZERRA, desde 1926.
Meus amigos e meus irmãos em Jesus, paz aos vossos corações e luz às vossas consciências.
Em regra, quando aí na Terra recebemos uma réstia de luz, julgamo-nos iluminados, ou, pelo menos, mais esclarecidos do que os nossos irmãos que da mesma centelha não partilharam. E partiram. E partimos contentes, a proclamar a nossa dita, julgando-nos perto da conquista definitiva da Felicidade que almejamos. Pobre do homem! Pobre do filho do pecado. Isso também me sucedeu. Bafejado pela iluminação de meu Guia, eu, mísero verme, mal saído do lodo, julgava-me mais perto do Céu - do céu que eu arquitetara.
E não sabia como agora sei, que essa luz só me foi concedida como fruto de misericórdia, justamente porque sem ela eu fora mais falido do que outros que a não possuíam! Pobre vaidade, estulto orgulho humano, que da própria esmola divina faz patrimônio de presunção! Aqui chegados, entretanto, vemos melhor estas coisas e então, e só então, nos convencemos de que mais é o negativo do que o positivo do nosso esforço, ou, por outra, o que fizemos é nada em relação ao que pudéramos fazer. Irmãos, amigos, companheiros, essa desilusão é comum aqui entre os que aí se presumem obreiros da salvação e aqui aportam com a sua bagagem de preconceitos, julgando terem feito mais que os seus irmãos. Outros, descansam à sombra dos primeiros louros colhidos e pensam mais no que fizeram do no que deixaram de fazer! Engano, cegueira, fatalidade, eis que importa combatê-la, concitando o discípulo do Evangelho a não considerar jamais terminado o seu dia de trabalho.
A luz, meus caros, que se nos dá, precisa ser difundida em prismas infinitos e vivificada pelos atos para que possa refletir neste plano, em nós e por nós. Não vos julgueis jamais melhor quinhoados no quadro dos filhos de Deus. Antes, pelo contrário, julgai sempre que a luz é dada justamente aos caminheiros cegos e tanto mais intensa quanto mais próximos eles se encontram do abismo. Esta é a nossa, é a vossa, é a história de todos os filhos dessa terra de provação e de misérias, mas também terra bendita de redenção, como celeiro das graças de Nosso Senhor Jesus - Cristo. A Ele pedimos por vós e por nós. Paz e humildade, resignação e sacrifício, eis o que se vos pede para que a luz se não extinga em vossas almas.
Bezerra
Extraído do REFORMADOR . 1/1/1926, p. 10. Rio de Janeiro
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